Projeto “O Menino que Virou Mestre” leva a história do fandango caiçara para as telas e reúne gerações na Ilha dos Valadares e em Paranaguá
Tem histórias que não cabem só na memória – elas precisam virar canto, dança e, agora, cinema. É o caso de José Martins Filho, o Mestre Zeca da Rabeca, que aos 80 anos vê sua vida transformada em filme no curta “O Menino que Virou Mestre”.

O projeto, dirigido por Gio Negromonte e Juan Roseno, mergulhou fundo nas raízes do fandango caiçara. As gravações aconteceram onde tudo faz sentido: na Ilha dos Valadares, na Ilha da Cotinga e no coração de Paranaguá.
O baile que virou cena

Um dos momentos mais emocionantes foi gravado no Mercado do Café. A produção abriu as portas e convidou quem realmente faz o fandango acontecer: os moradores do litoral. Teve tamanco batendo no assoalho, viola, rabeca e olhos marejados. “Não foi atuação. Foi vivência”, conta um dos diretores.
Para Mestre Zeca, ver a comunidade reunida tocando e dançando para o filme foi como voltar no tempo. “Eu era menino quando peguei na rabeca pela primeira vez. Hoje vejo outros meninos olhando, querendo aprender. Se esse filme ajudar a não deixar o fandango morrer, minha missão tá cumprida”, disse ele, com a voz embargada.

Cultura que resiste
O curta foi um dos contemplados pelo Edital de Fomento à Cultura Aldir Blanc e tem realização da Secretaria de Estado de Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Mais que contar a história de um homem, “O Menino que Virou Mestre” registra um jeito de viver. O fandango caiçara é patrimônio imaterial brasileiro, nascido do trabalho dos pescadores, dos mutirões e das festas. É cultura que sobrevive no toque da rabeca e no passo marcado.

Estreia chegando
O lançamento está previsto para o próximo mês. A equipe promete divulgar data e locais de exibição em breve pelas redes sociais.
Enquanto o filme não chega, fica o recado de Mestre Zeca: “Fandango não é só música. É reza, é trabalho, é alegria. É a vida da gente caiçara”.

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